terça-feira, 26 de janeiro de 2010
7 - Pontos corridos x Mata-mata – As opiniões dos leitores
A discussão até aqui tem sido muito profícua, e não houve quem apelasse na argumentação. Ocorre, porém, que se alguém quiser chegar a uma conclusão a partir deste embate, terá muito trabalho.
Ao todo, foram quatro depoimentos: dois a favor dos pontos corridos, dois a favor do mata-mata. É mole? Rincón fez um a zero para os pontos corridos, sob a argumentação de que time que está ganhando não se mexe. Depois, Candinho, o técnico, não se contentou em empatar, e virou o jogo para os mata-matenses. Ele diz que não há emoção que se compare a uma final, e que os times desinteressados no começo e no final da competição cortam o principal argumento dos pontos corridos – a justiça.
Agora, pois, é a vez dos leitores. Thiago Ciaciare, o leitor que aqui primeiro comentou que me perdoe, mas tenho que começar com a pessoa que comentou por último. Sei que é injusto, mas o último comentário é de meu pai! E ele merece todas as homenagens neste espaço, porque se ele não existisse, eu não gostaria tanto de futebol e jamais pensaria em criar um blog sobre o tema. Fora que eu não saberia escrever, não teria olhos para assistir a uma partida, não torceria pelo Palmeiras... E pensando melhor, eu sequer existiria!
Vamos à opinião dele, o Francisco, expressa em um dos comentários deste blog.
“Sou Mata-matense de carteirinha.
O sabor de uma final, onde TODAS as torcidas ficam ligadas em um único jogo, é incomparável em relação à frieza dos pontos corridos.
Nos pontos corridos não conta o improvável de uma zebra aos 45 do 2º tempo, com um gol de canela do centroavante do time que tomou sufoco durante 90 minutos, mas não soube marcar.
Pela volta dos mata-matas!”
Pois Francisco se emociona deveras em uma final. Posso dizer que sou grande testemunha disso, pois não me lembro de acompanhar uma final de meu time sem que ele estivesse por perto. E ele se emociona, mesmo tendo outros problemas a resolver em sua vida cotidiana. Eis, até, outro ponto do mata-mata. Este é um sistema que envolve até quem não se preocupa tanto com futebol – não que meu pai não se preocupe! E é assim, porque um esporte que não emociona não tem razão de existir, que o mata-mata alarga o placar e faz o terceiro gol dos mata-matenses. Agora, temos Pontos Corridos 1 x 3 Mata-matas.
Porém, posso dizer que já vi Francisco roer as unhas em vários jogos dos pontos corridos. Olhe que nem última rodada era! E o imponderável, que ele representou pelo gol de canela do centroavante do time que tomou o sufoco, também pode acontecer nos pontos corridos. Imagine se o Grêmio empata contra o Flamengo no Maracanã? Ou se, no ano retrasado, o Goiás arrancasse um empate do São Paulo? Teve ainda o embate de 2004, quando o Atlético Paranaense, em vias de ser campeão, perdeu para o Vasco, medíocre à época, e entregou o título para o Santos.
Thiago, um comentador assíduo deste espaço, adota uma linha contrária a de Francisco. Ele é um pontocorridense roxo. E tem bons argumentos para isso:
“CLARO que eu apóio os pontos corridos.
Num país bagunçado, improvisado e - que coisa - orgulhoso de tudo isso, é melhor que se comece dar ao povo bons exemplos de MERITOCRACIA. Como tem muito mais gente que se presta a entender isso através do futebol do que de, sei lá, ADMINISTRAÇÃO EMPRESARIAL, tá aí.
Assim, traçando um panorama entre os piores problemas do País e o aprendizado da cidadania através do BALÍPODO, sugeriria até a criação de um novo critério de desempate no Brasileirão, o ISA, ou índice de sujeira atirada: a torcida que atirasse menos sujeira nos estádios daria ao seu time a vantagem do empate (e, à sua cidade, o alívio das enchentes) !!!”
Ele tocou em um ponto importante. O de que no Brasil não estamos acostumados a glorificar aquele que trabalha e é constante, como o que é idealizado na meritocracia. Ponto, ou melhor, gol legítimo e bem feito para os pontocorridenses. Pontos Corridos 2 x 3 Mata-mata. Mas aqui eu pergunto, sem querer provocar. Thiago e todos os pontocorridenses de meu Brasil: se no Brasil não gostamos da meritocracia, o futebol, nosso principal esporte, não deveria representar justamente isso? Porque futebol é uma das representações mais claras de uma cultura. Mas isto é só uma pergunta, portanto não vale o gol!
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
6 – Paulo César, o coitado
O maior mal da imprensa esportiva é a falta de assunto. Não importa que no Brasil tenhamos 14 times grandes, e o mesmo tanto de times médios. Chega o começo de Janeiro, quando não tem ninguém contratando ninguém, ou a sexta-feira em que ninguém joga contra ninguém, e, mesmo assim, é preciso ter o que falar.
Porque todos os jornais têm a parte esportiva. Os canais de televisão também têm os programas esportivos. Sem falar dos canais de TV e dos jornais que têm o esporte como assunto único. Preencher todos esses espaços torna-se um desafio comparável ao de Maomé!
Houve uma vez em que um futebolista foi reclamar a um comentarista, que havia sido injusto e imponderado em suas colocações. O comentarista respondeu o seguinte:
- Eu compreendo o que você está falando e concordo com tudo. Mas se eu não falasse de você, falaria do quê?
O futebolista em questão nunca mais reclamou da imprensa. Mas também nunca mais comprou um jornal.
A maior vítima dessa falta de assunto é o juiz. Quando ele acerta a marcação, não há o que falar, pois ele acertou. Quando ele erra, aí, sim, os jornalistas agradecem a Deus – ou ao diabo -, pois agora têm assunto.
Ontem, Paulo César de Oliveira errou ao validar o gol do Barueri contra o Palmeiras. Tadeu, que cobrou o pênalti na trave e depois recebeu o rebote para enfim marcar o gol, estava impedido. Mas era um lance rápido, e Paulo César simplesmente não viu.
Se o assunto acabasse onde tivesse que terminar, o juiz não seria tão execrado, mas os jornais esportivos amanheceriam vazios.
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Por que os erros dos jogadores são desculpados por estarem no início da temporada, e os dos juízes, não?
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Tem jornalista que não se cansa de pedir a arbitragem eletrônica no futebol. Se isso acontecesse, e os juízes não mais errassem, sobre o que eles falariam depois dos jogos?!
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Não sei se você sabe, mas quando eu era criança, entrei em campo com o time do Palmeiras, no Palestra. Fiquei esperando os jogadores num túnel, por onde também passaria o árbitro. Comigo estavam mais de cem crianças esperando por Rivaldo, Djalminha, Luizão, Velloso, Cléber, Galeano e outros craques – quem disse que Galeano e Cléber não são craques? Mas antes, quem apareceu foi Paulo César de Oliveira, o juiz.
As crianças todas, mal viram aquele homem vestido de preto, começaram a xingá-lo com palavrões que, à época, eu até desconhecia! Alguns eram até racistas. E o pior: havia meninos negros execrando a cor de Paulo César. Isso antes do jogo começar, com possibilidade iguais de favorecimento ao Palmeiras ou ao Rio Branco de Americana, que era o adversário daquela noite.
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Paulo César de Oliveira é o juiz mais talentoso da geração dele. Costuma-se dizer que talento é quando Deus abençoa alguém com uma aptidão. Talento para arbitragem, porém, não é uma benção. É um castigo!
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Digamos a verdade: o Palmeiras foi beneficiado pelo erro de Paulo César. É só observar quantas pessoas estão comentando o péssimo futebol do time em Presidente Prudente.
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O Barueri em Presidente Prudente é o Bebeto no Vasco, O Viola no Palmeiras, o Ronaldinho no Real Madri, o Edmundo no Corinthians – e no Flamengo -, o Evair no São Paulo... Por que jogador pode ser mercenário, e time não?
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Há seis meses no espantamos ao ver Belluzzo nervoso como um torcedor ao reclamar do Simon. Hoje, o espanto seria ao ver Belluzzo calmo como um professor.
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O novo mantra do Palmeiras: “Obina não tinha a menor vaidade. Obina é que era atacante de verdade!”
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
5 - Por que Manuel era chamado de Garrincha
Engraçado é que quando ele saiu de Pau Grande contratado pelo Botafogo, a imprensa carioca custou a concordar com este apelido. Chamaram-lhe Gualhixo, Garricha (sem o N), até uma matéria definitiva em O Globo com a manchete: “Meu nome é Manuel e meu apelido é Garrincha”.
Pensando melhor, se Garrincha é feio, Gualhixo e Garricha são piores ainda! Ou, como sempre diz a minha mãe, não é o nome que faz a pessoa, é a pessoa que faz o nome.
Fonte: Estrela Solitária – um brasileiro chamado Garrincha, de Ruy Castro
4 - O preço de Garrincha
Em 1953, o Botafogo pagou ao Pau Grande FC vinte e sete dólares. Ou, na nossa moeda da época, quinhentos cruzeiros.
Tudo bem que houve uma grande inflação de lá para cá mas era um preço era absurdamente barato. Didi chegou a custar 30 mil cruzeiros. Mas é um exercício interessante, se compararmos com os preços dos craques de hoje.
Aplicando a conta de que o dólar em 1953 valia dez vezes mais do que hoje, com o que Real Madri pagou por Cristiano Ronaldo daria para comprar quinhentos e vinte e dois mil Garrinchas! O Buffon, que tanto seria ridicularizado pelo Mané em um lance frente a frente, vale duzentos e sessenta mil Garrinchas. Está certo que o Botafogo fixou o passe de Garrincha a 15 milhões de cruzeiros, o que representaria 60 mil dólares, mas, para alguém com a categoria do nosso Mané de pernas tortas, convenhamos, é um preço baixo, mesmo se levando em consideração as proporções da época.
Mas podemos falar também do salário de Garrincha. Em 1956, ele ganhava 1600 cruzeiros, o que representava 160 dólares. Hoje, esses 160 dólares equivaleriam a 1600. É o quanto Cristiano Ronaldo ganha em 41 minutos. Isso mesmo. O que Garrincha demorava um mês para receber, Cristiano Ronaldo ganha em 41 minutos. Ou o que Thierry Henry demora 82 minutos. Ou o que o penta campeão Marcos demora dez horas para receber.
Fonte: Estrela Solitária – um brasileiro chamado Garrincha, de Ruy Castro
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
3 - Qual seria o time de Napoleão Bonaparte?
Mas Napoleão, coitado, nasceu em 1769, época em que o futebol era alguma coisa selvagem disputada apenas na Inglaterra.
Depois da Revolução Francesa, ocorrida em 1789, a França se encontrava em estado semelhante ao caos. Ninguém e nenhum país – até a França! – passa intacto por uma revolução. A burguesia não se conformava com os jacobinos, uma classe revolucionária e, convenhamos, que deveria feder a valer, pois, se os franceses comuns já costumam ser fedidos, imagine os franceses revolucionários? As outras monarquias européias morriam de medo que esses ideais revolucionários cruzassem a fronteira. Também pudera. Se copiam o bidê, o salto alto e até o corte Chanel da França, por que não plagiariam movimentos que promoviam maior igualdade social?!
Napoleão aproveitou-se desta balbúrdia em que a França se encontrava, e com o golpe de 18 de Brumário acalmou todo aquele país. Porém, ele ganhou tanta força, que acabou conseguindo o que os franceses tanto lutaram para extinguir: a volta da monarquia, mas desta vez ele seria o rei. Foi neste período que Napoleão liderou a França para conquistar o maior tamanho de sua história. Se hoje você olha para o mapa da Europa e encontra com dificuldade aquele país entre a Espanha, a França, a Itália, Suíça e Bélgica; em 1812 quase toda a Europa Ocidental e parte substancial da Oriental faziam parte do território Francês. Quase 50 milhões de pessoas. Você imagina quantos croissants eram feitos diariamente?
Foi este crescimento que levou a França a entrar em colisão com a Inglaterra. Napoleão ordenou que nenhum país europeu – eu disse nenhum! – poderia negociar com os ingleses. Ora, justo a Inglaterra?! Aquele país com indústria tão avançada! Os países começaram a sentir falta de máquinas, produtos têxteis e outros avanços industriais, que só a Inglaterra produzia. Para se ter uma ideia, imagine como você se sentiria se o Brasil não mais pudesse negociar com a China. Seria ruim, não seria? Todos os mini-games, cd´s e dvd´s piratas, eletrônicos baratos e outras coisas com que você se acostumou, de repente fora do mercado. E no lugar delas você só pudesse comprar artigos de luxo, que são talvez menos funcionais e muito mais caros. Então.
Portugal não conseguiu se livrar dos comércios com a Inglaterra. Eu também não conseguiria. Napoleão soube disso, e colocou seu exército para invadir Portugal. Para não ser encurralada no próprio território e obrigada a abdicar do trono, a família real portuguesa veio para o Brasil assim que soube dos planos de Napoleão. Isso, no final, acabou ajudando o Brasil a se tornar independente.
Depois disso, Napoleão tentaria invadir a Rússia depois de ela quebrar também o bloqueio continental. Os russos jogaram na retranca. Foram queimando, literalmente, todas as cidades em que a tropa de Napoleão passaria. Os franceses encontravam cinzas onde esperavam batalha. Além de não sanar a fome de sangue, a fome de comida passou a ser real, e não sobrou resultado a Napoleão que não uma derrota acachapante. Aquele exército que parecia invencível foi derrotado sem confronto direto.
Depois Napoleão ainda tentou voltar ao poder, mas foi derrotado, como você deve saber, em Waterloo.
Desculpe se falei tanto assim da França e menos de Napoleão, mas a história da França tem muito a ver com a própria de Napoleão. Se a França era pretensiosa daquele jeito era porque era coordenada por um homem pretensioso como Napoleão. O contrário também vale. Se Napoleão era pretensioso daquele jeito era porque nasceu em um país pretensioso como a França. Napoleão era tão cheio de si, que uma vez tentou se matar e tomou trinta e sete vezes mais arsênico do que o recomendável. Ele achava que a dose letal para um homem comum não traria nenhum dano a alguém como ele.
Ele inventou o salto alto. Tinha um metro e sessenta e sete, o que não chegava a ser uma altura desprezível – é maior que a de Romário. Mas é complicado mandar num homem maior. Ele também gostava de coroas. Em sua coroação, que teve a presença ilustre do Papa Pio XVII, ele tirou a coroa de Pio para coroar a si mesmo.
Enfim. Vamos escolher o time dele?
Sei que um português que se preze tem arrepios ao ouvir falar no nome da Napoleão. Mas posso apostar que ele, pelo contrário, sentiria até certo prazer ao tocar em qualquer assunto relativo a Portugal. Afinal, quem não se envaideceria por saber que foi a causa da fuga de um rei? Por isso não se espante com três opções de times de origem portuguesa. Meu pai, mesmo, torce para o Palmeiras, dos italianos, sendo um português de sangue.
O leitor poderá escolher entre Portuguesa, Vasco, Portuguesa Santista e Bahia.
Ele torceria pela Portuguesa?
Muita gente pensa que Napoleão jamais torceria pela Portuguesa porque a Lusa é um time menor do que os outros. Mas este seria o grande trunfo de Napoleão. Sendo a Portuguesa a queridinha, não seria difícil de convencer o Brasil inteiro a escolhê-la como o time principal. Napoleão usaria a simpatia prévia que todos nós temos, para potencializá-la e passar a uma paixão arrebatadora. Depois de alguns anos de Napoleão no comando da Portuguesa, ela ostentaria o título de “a mais querida do Brasil”.
Ele torceria pelo Vasco?
A arrogância de Napoleão talvez fosse o maior obstáculo para adotar um time que tenha o nome de outro personagem da história. Mas quem disse que os arrogantes não são humildes no futebol? O Vasco seria a exceção obsessiva de Napoleão. Ele diria sempre que é o maior, para fazer uma ressalva logo em seguida: - “Depois de Vasco, aquele grande conquistador”.
Ele torceria pelo Bahia?
Pouca gente repara, mas as cores do Bahia coincidem com as da França. Napoleão olharia um catálogo de distintivos dos clubes brasileiros e se encantaria por aquele campeão brasileiro de 88. O único problema é que chamaria todas as semanas o atacante Bobô para tomar um vinho francês legítimo. Ou não seria o Bobô que receberia Napoleão para comer acarajé?
Ele torceria pela Portuguesa Santista?
Napoleão talvez não se interessasse por um time já grande, com inúmeros craques em sua história. Para ele ser relevante, somente pegando um time em que todos não vêem nada além de um destino fadado à falência. Napoleão torceria pela briosa e a faria campeã continental. Todos saberiam quem seria o verdadeiro responsável pelo título, e os programas esportivos não hesitariam em ditar o time santista assim: -“É Napoleão mais dez!”.
Escolha o time de Napoleão. Na semana que vem, teremos o resultado.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
2 - Lugar de juiz e bandeirinha
Foi Léo Feldman o juiz que apontou para o centro do campo quando Renato Gaúcho deu a barrigada para o gol no ano de 1995. Em 2001, foi ele também quem autorizou a cobrança para Petkovic garantir o tri carioca do Flamengo aos 43 minutos do segundo tempo. Feldman foi um juiz conceituado em sua época. Dessa mesma boca acostumada a assoprar o apito para plateias aos milhares, saiu, em 2009, a seguinte história.
Havia um jogo importante a ser feito em uma capital do nordeste. Os bandeirinhas, coitados, jamais haviam visitado a cidade e pediram com muito tato, se possível, e caso não atrapalhasse, para visitá-la dois dias antes. Feldman consentiu, pois, embora não pareça, bandeirinhas são seres que gostam de aproveitar certos prazeres. Léo pegou o avião um dia depois e, recém-chegado ao aeroporto, quis logo saber onde os colegas estavam. O espanto dele foi grande ao ser informado que não estavam em um restaurante, ou no próprio hotel. Era, desculpe, em um bordel, que eles se encontravam.
A fúria de Feldman atemorizaria até o mais másculo homem. Ele tratou de encontrar os auxiliares o quanto antes e os repreendeu com a maior ferocidade de que era capaz, ensinando que aquilo não era lugar de bandeirinha antes de jogo importante. Os dois ficaram acuados, e, no dia seguinte, com a bandeira entre as pernas, foram para o jogo e atuaram perfeitamente.
Encerrada a partida, ainda cabisbaixos, ouviram de Léo a seguinte proposta: “Sabe aquelas mulheres que os acompanhavam na noite de ontem? Liguem para elas e perguntem se tem lugar para mais um, que eu quero me divertir também!” Assustados, perguntaram o motivo de tamanha reviravolta em seu humor.
Ele calmamente explicou o que deveria já ser de conhecimento deles, tão básica é a informação: “Não é que juiz e auxiliares não possam ir à zona. Eles podem...Mas depois do jogo!”
1 - O juiz que encurralou o repórter
No ano de 1993, o Grêmio recebeu o Santos no estádio Olímpico, em partida do Campeonato Brasileiro. Não era uma partida qualquer – se é que um clássico entre estas equipes possa ser uma partida qualquer. Tratava-se da estreia do lateral Branco no Olímpico. Tudo bem que àquela época ele ainda não tinha marcado aquele gol contra a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo, mas mesmo que não fosse um jogador irretocável, os atletas de longas madeixas sempre fizeram sucesso na terra de Fernandão, Falcão, Ronaldinho, Renato, Alcindo e Batista.
O árbitro escolhido para a partida foi Léo Feldman.
Mas juiz não tem vida tranquila. Se tivesse, não seria juiz e não se vestiria de preto. Aconteceu de ter um pênalti indiscutível contra o Grêmio, e Feldman, claro, marcou sem pestanejar. Darci converteu o pênalti e assim se encerrou a partida: 1 X 0 para o Santos. É claro que os torcedores gremistas ficaram furiosos.
E a reação deles não ficou somente nas reclamações. Assim que o juiz e os bandeirinhas entraram no vestiário, não conseguiram mais sair, tamanha a revolta local. Um repórter, contente pela notícia, informou a plenos pulmões o que estava acontecendo, não sem certo sadismo: “O juiz e os auxiliares não conseguem sair do vestiário porque a torcida gremista não deixa”.
Léo ouviu e teve uma grande ideia. Ele cercou o repórter e lhe avisou: “Você só sai daqui com a gente”. Mas deu a solução: “Trate de informar que eu e os bandeiras já saímos e estamos bem”. Ao repórter, acuado, não restou opção. Ele informou o que Feldman queria e o efeito foi instantâneo: a massa azul dispersou. Aí, sim, puderam todos ir embora tranquilamente.
11 - O juiz vaidoso
A história a seguir é contada por Vagner Tardelli. E o leitor que espera um causo com gel ou brilhantina no meio, muito se engana, porque tudo aconteceu com Antônio Buaiz.
Buaiz apitava um jogo no Espírito Santo e não esperava que a leve chuva do começo da partida pudesse engrossar e tomar as proporções de uma tempestade. Ele começou a se preocupar com a qualidade do gramado e com a ausência de delicadeza dos jogadores que se aproveitam do piso escorregadio para executar jogadas de maior violência. Mas aos 40 minutos do segundo tempo esses problemas tornaram-se apenas secundários.
O capitão de uma das equipes lhe avisou que o bandeirinha certamente tinha sido atingido, já que estava com a face abundantemente avermelhada. Buaiz conferiu e, sobressaltado, chamou apressadamente um médico de uma das equipes para prestar os primeiros socorros.
Para a surpresa de todos, porém, o auxiliar não se queixava de dores. Pelo contrário, podia-se dizer que estava plenamente saudável. Ele estava era admirado por tamanha preocupação do médico e dos jogadores, que eram incapazes de olhar-lhe no rosto sem fazer careta ou comentar alguma coisa com os companheiros. De fato, o médico constatou que nada havia. Ao tocar-lhe a face, percebeu que aquilo não se tratava de uma lesão – era apenas tinta.
O auxiliar havia tingido o cabelo pouco antes da partida e a chuva surpreendeu a artimanha. A tinta não só saiu do cabelo, como se espalhou pelo rosto do bandeirinha, dando o falso efeito de ferimento. Já com a face limpa, o bandeirinha continuou com a cara vermelha – desta vez, ruborizava-se apenas por vergonha, como todo homem que tem sua vaidade pega em flagrante.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
10 - Horóscopo dos futebolistas - Capricornianos
Agora, o time dos capricornianos.
Este é, talvez, o time mais homogêneo de todos os signos. O leitor perspicaz reparará que o pertencente a este signo tem uma clara aptidão ao gol e à posição de volante. Até os atacantes capricornianos poderiam ser volantes, em alguns casos.
O capricorniano é aquele que não faz nada à toa ou gratuitamente. Está sempre pensando no que suas ações podem lhe trazer no futuro. Então não é raro encontrarmos um craque que assina com um time para jogar em outro no futuro, ou que dá uma declaração polêmica para se aproveitar da confusão. Aliás, até no estilo de jogo, o capricorniano é assim. Quando todos pensam que ele errou ao cobrar a falta forte na barreira, ele queria, na verdade, assustar os zagueiros do escudo humano, para ter sua tarefa facilitada no próximo lance.
Por isso, o capricorniano também pode ser muito paciente. Ele é ciente de todas suas capacidades, e sabe que um dia seu esforço será premiado com um contrato melhor. Ele também sabe que um gol levado no início não é de nada. Quando ele entra bem no campo, sabe que é para vencer, nem que comece perdendo de um, dois, até três a zero!
Este temperamento leva muita gente a achar que o capricorniano é frio, e se desinteressa pela opinião alheia. Mas quer agradá-lo? Elogie. Ele despistará, mudará de assunto, mas no íntimo arderá de felicidade pelo brilho reconhecido.
Vamos ao time capricorniano.
Só temos um grande técnico deste signo, e não poderia ser outro, senão Alex Ferguson. Eu não disse que eles são pacientes? Quando começou no Manchester, Ferguson demorou anos até conquistar o primeiro título. E ele passava todo esse tempo de bom humor, pois sabia de sua capacidade. Aí está: o técnico mais duradouro do futebol mundial.
Para o gol, temos muitas opções. Rodolfo Rodríguez, Waldir Peres, Félix, Gilmar Rinaldi, Zetti, Bruno e Carini. Eliminemos, sem muitas explicações, Bruno e Carini. Carini porque não é tão bom, e Bruno porque, além de não ser de primeira linha, comemora as defesas. Waldir Peres perde a posição por ser careca, e Félix porque esta seleção não é tão boa quanto a de 70, que poderia se dar ao luxo de um fraco no gol. Zetti também não, porque não representa o capricorniano com afinco, já que, impaciente, trocou de clubes ao longo da carreira. Ficamos entre Rodolfo Rodríguez e Gilmar Rinaldi. E ganha Rodolfo, porque Gilmar é empresário, e isto causaria um severo conflito de interesses.
Na lateral direita, Correa tem a vaga. Ele faz biquinho no começo, mas depois percebe que não poderia com um meio campo de Pierre e Gattuso. Maldonado e Richarlyson são deslocados para a zaga, e até gostam da nova posição. Athirson é o lateral esquerdo, e todos ficam desconfiados, porque ele não protege a zaga tão bem, e não compensa esta deficiência com um belo apoio no ataque. Problemão.
Pierre e Gattuso são jogadores praticamente iguais. Não fosse a cabeçorra de Gattuso, os dois seriam idênticos no campo. Mas eles foram escolhidos para que zaga não ficasse tão desguarnecida. Esta seria uma dupla de volantes que não passaria do meio campo, e não teria a menor vergonha disso!
O resto é alegria e poesia. Gérson, Rivelino, Bernd Schuster e Reinaldo. Ferguson não sabe nem em que lado cada um desses jogadores ficará, já que prefere se preocupar, com razão, apenas com a defesa.
Haverá muita indignação por alguns dos jogadores não relacionados. Viola e Serginho Chulapa estão fora para não tumultuar a harmonia do grupo. E Alan Kardec não joga porque Ferguson não acredita no espiritismo.
Então temos a seguinte escalação:
Técnico - Alexander Chapman Ferguson 31/12/1941
1 - Rodolfo Rodríguez 20/01/1956
2 - Correa 29/12/1980
3 - Maldonado 3/1/1982
4 - Richarlyson 27/12/1982
6 - Athirson 16/01/1977
5 - Pierre 19/01/1982
8 - Gattuso 9/1/1978
10 - Gérson 11/01/1941
7 - Rivellino 1/1/1946
11 - Bernd Schuster 22/12/1959
9 - Reinaldo 11/01/1957
Banco de reservas:
Waldir Peres 2/01/1951
Félix 24/12/1937
Jairzinho 25/12/1944
Escurinho 18/01/1950
Fio Maravilha 19/01/1945
Tinga 13/01/1978
Washington 3/01/1960
Sávio 9/1/1974
Claudio Caniggia 9/1/1967
Taison 17/01/1988
Baltazar 14/01/1926
Zamorano 18/01/1967
Dentinho 19/01/1989
Jogadores não relacionados:
Gilmar Rinaldi 13/01/1959
Zetti 10/01/1965
Bruno 23/12/1984
Carini 26/12/1979
Romerito 14/01/1975
Serginho Chulapa 23/12/1953
Viola 1/1/1969
Alan Kardec 12/01/1989
Magno Alves 13/01/1976
Léo Lima 14/01/1982
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
9 - Os Presidentes do Penta - JK
Mas desta vez poderia ser tudo diferente. Para a Copa do Mundo, sediada na Suécia, preparamos um projeto tão minucioso quanto inédito. Se antes íamos à Copa apenas reunindo os jogadores e o treinador, e depois viajando ao país sede para nos hospedarmos em um hotel que a Fifa reservara, desta vez planejamos tudo tal qual uma mãe super protetora.
Começando pela escolha do técnico, houve uma grande mudança. Ao invés de nomes óbvios como Flávio Costa ou Zezé Moreira, decidiu-se por Vicente Feola. Ao contrário dos outros dois, que se negariam a ouvir sugestões e decidir em conjunto, Feola tinha a humildade que o cargo naquele momento precisava. A situação lembra bastante a atual, quando Teixeira se decidiu por Dunga.
Nas duas últimas Copas, tínhamos grandes jogadores, como Djalma Santos, Julinho, Baltazar e Didi. Mas nossos craques eram como ilhas independentes em campo, como Ronaldinhos, Kaká e Adriano em 2006. Escolheram um técnico que decidisse em conjunto para que os craques também soubesse atuar como equipe.
Nossos jogadores passaram todos pelo dentista. Tudo bem que eles ganhassem salários comparáveis aos de médicos e advogados da época, mas haviam ali bocas absolutamente podres. Aquela delegação tinha 32 dentes imprestáveis, todos retirados.
Também passaram pelo médico comum. Muitos jogavam com alguns companheiros dentro de si: vermes, lombrigas e afins. E também houve exame psicotécnico. Tudo bem que ele não serviu de grande coisa, pois o psicólogo em questão aconselhou que Pelé e Garrincha não fossem aproveitados. Aliás, o nosso escrete era o único com dentista e psicólogo com a delegação na Copa. Os cuidados dos dois não foram necessários durante a competição, mas se fossem, lá estariam eles.
Os hotéis não foram escolhidos ao acaso. Houve a devida preocupação com o conforto dos jogadores que passava pelo clima aos campos para treinamentos regulares. Sabendo do potencial sexual de nossos jogadores, foi pedido também ao hotel que trocasse todas as funcionárias por... funcionários!
Enfim. Tudo o que atrapalhava nas últimas copas foi mapeado para que, desta vez, não houvesse meio de nosso melhor futebol não sobressair.
Já Juscelino assumiu em 1956 o governo de um país que não decolava. Não tínhamos furacões, terremotos, maremotos e vulcões. Muito pelo contrário. Solos férteis ocupavam a imensa maioria de nosso país. Havia mão de obra barata de sobra, com muito afinco para trabalhar. Mas mesmo assim, não confirmávamos o que a nossa vocação previa.
Juscelino foi peremptório desde o início. Estabeleceu o Plano Nacional de Desenvolvimento, o Plano de Metas, com o objetivo de crescer cinqüenta anos em cinco. Tudo bem que isso fosse mais uma frase de efeito, já que em cinco anos só é possível crescer... cinco anos. O que ele queria era provocar o clima e todas as condições necessárias para que o país crescesse muito.
As metas eram divididas em cinco grandes setores. A energia, o transporte, a indústria, a educação e a alimentação. Havia, pois, uma meta que simplificava todas as outras: construir Brasília.
Ao longo do governo, Juscelino conseguiu cumprir as três primeiras metas. Daí se vê a grande importância que ele deu a tudo que fosse visível e tangível. O capital brasileiro abriu-se mais ao estrangeiro do que a defesa do São Paulo abriu-se ao ataque da Portuguesa naquele 7 a 1. Máquinas e equipamentos industriais entraram no país praticamente sem impostos. Também o capital externo, que se associava simbolicamente ao interno.
Desse modo, a nossa industrialização envergou-se. A partir dos anos 30 as indústrias surgiram no Brasil, mas era a indústria leve, com bens de consumo não duráveis. Agora, era a indústria pesada que começava a ser criada aqui, com bens de consumo duráveis. Substituíamos, pois, a importação pela industrialização.
O ápice disso foi a construção de Brasília. Dizem que com o dinheiro gasto para construir nossa capital, seria possível erguer três delas. Mas Juscelino é sábio. Se uma Brasília já é muito chata e monótona, imagine três delas? O serrado morreria de tédio.
A Copa começou para nós em 8 de junho de 1958. Poucos dias antes, corremos o risco de perder nosso maior craque. O Brasil realizou um amistoso contra o Corinthians no Pacaembu, e Pelé foi vítima de uma entrada criminosa no joelho. Ele seria cortado, mas como era o Pelé, era prudente esperar mais um pouco. Já na Suécia, o joelho não parecia muito bom, e Pelé chegou até a pedir para voltar. De novo: como era Pelé, era prudente esperar mais um pouco. A espera foi recompensada: em 8 de junho, Pelé estava na estréia do Brasil contra a Áustria.
O jogo foi tenso, conforme era esperado. Se perdêssemos, a chance de cairmos na primeira fase era gigantesca. Além dos prejuízos práticos de um derrota – a perda dos pontos -, o moral da nossa seleção seria absurdamente abalado. Sem contar que os outros adversários – União Soviética e Inglaterra – eram dois dos mais fortes do mundo.
Contra os ingleses, apenas empatamos, e o jogo final da primeira fase era crucial, contra a União Soviética. E aquele jogo não seria só mais um. Era a estréia de Garrincha, e pela primeira vez seríamos os favoritos da Copa.
Apesar de o time ter Pelé, Didi, Vavá e Mazzola, faltava algum encanto. Esse encanto tinha pernas tortas. O Brasil foi avassalador contra a União Soviética. Ganhou apenas por dois a zero porque eles tinha Yashin, um dos melhores goleiros de todos os tempos. Os dois gols foram de Vavá. E os dois passes foram de Garrincha.
Por aqui, já era notícia geral de que Garrincha espantara os gringos. Eles nunca tinham visto jogador parecido. Aliás, se Garrincha já era um espanto para os acostumados ao futebol carioca, imagine para os europeus, acostumados com o futebol... europeu? Garrincha fez esquecer Julinho – até então o maior ponta do mundo.
Para o próximo jogo, Juscelino chamou Amaro, o pai de Garrincha, para que juntos ouvissem a partida. Amaro se sentiu honrado, mas não deve ter gostado muito. Fora do estádio, acompanhar uma partida de futebol é tarefa das mais íntimas – comparável ao sexo! E o analfabeto que estava acostumado a reações das mais intempestivas, acompanhou, manso, a partida ao lado do presidente. Brasil 1 x 0 País de Gales.
Na semifinal, contra a França, foram as esposas dos outros jogadores que acompanharam Juscelino na escuta. Deu sorte de novo: Brasil 5 x 2 França. Aliás, a França saiu à frente. Mas Didi, calmo como sempre, foi ele mesmo buscar a bola no fundo do gol e caminhou lentamente até o meio de campo, passando a tranqüilidade necessária aos jogadores, aos torcedores e, por que não?, a ele mesmo.
Na final, também saímos perdendo. Mas a força daquela seleção foi superior a qualquer lembrança de maracanazzo. Nem foi preciso que Didi repetisse o gesto, pois todos os jogadores sabiam da previsibilidade daquele título que não poderia ter outro dono. Cinco a dois, sem chances para a Suécia, que jogava em casa.
De volta ao Brasil, nossa seleção desfilou primeiro por Recife - onde o avião fez escala -, depois pelo Rio de Janeiro, onde encontraram suas famílias e o presidente. Juscelino, aliás, disse, no impulso de quem era campeão pela primeira vez, que todos os jogadores ganhariam casa própria. Passado um ano, com a promessa ainda não cumprida, Juscelino fez uma proposta mais branda. Que eles tivessem, sim, a casa própria, mas que pagassem por ela em suaves prestações.
O desenvolvimentismo de Juscelino teve um grande preço. O Brasil tornou-se absurdamente dependente do capital estrangeiro. Se crescíamos 7% ao ano, as dívidas aumentavam muito mais. E a inflação assombrou os governos posteriores, mas isso ficaria para depois. Porque a empolgação era assombrosa. Além do inédito campeonato mundial no futebol, Éder Jofre também foi campeão mundial de boxe também em 1958. Em 1959, a seleção de basquete dos homens foi campeã mundial, e a tenista Maria Esther Bueno ganhou Wimbledon e US Open.
Quando Juscelino Kubitschek disse que o Brasil cresceria cinquenta anos em cinco, fez uma profecia ao contrário: seriam cinco em cinquenta. Quero dizer: cinco copas nos próximos cinqüenta anos.
A seleção:
1 Castilho - Fluminense
2 Bellini - Vasco da Gama
3 Gilmar - Corinthians
4 Djalma Santos - Portuguesa de Desportos
5 Dino - São Paulo
6 Didi - Botafogo
7 Zagallo - Flamengo
8 Moacir - Flamengo
9 Zózimo - Bangu
10 Pelé - Santos
11 Garrincha - Botafogo
12 Nilton Santos - Botafogo
13 Mauro Zagueiro - São Paulo
14 De Sordi - São Paulo
15 Orlando - Vasco da Gama
16 Oreco - Corinthians
17 Joel - Flamengo
18 Mazzola - Palmeiras
19 Zito - Santos
20 Vavá - Vasco da Gama
21 Dida - Flamengo
22 Pepe - Santos
Treinador: Feola
Fontes: Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha
Site Brasil Escola
Site Memorial JK
Livros de História da escola
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
8 - Times dos Famosos – Vavo, da banda Fresno
Entrevistei o Vavo, o guitarrista da banda, por e-mail. Ele teve pontuação recorde, até agora – passou Leão Lobo. O ponto perdido, que o separou do torcedor xiita, foi por motivos bobos – alguma falta de atenção com detalhes essenciais. Mas com incentivo e ensinamento, Vavo vira um xiita com certa tranqüilidade.
Aliás, estou até começando a achar que será preciso um número maior de questões pegadinhas, que diminuam a pontuação do sujeito. Para que o ruim tenha um ponto ou dois, e o xiita seja mais valorizado. Vamos ao teste, por favor.
1 – Tem camisa do time?
Resposta: Mais de 10.
Comentário: Ponto para Vavo. Porque o torcedor desse tipo não tem a camisa só para usar se um dia for campeão, ou se ganhou de presente, ou se as comprou num acesso consumista. Tem porque é um verdadeiro obcecado pelo time e, se pudesse, usaria o manto de segunda a segunda!
2 – Usa o manto no dia seguinte a uma derrota?
Já usei várias vezes, não vejo porque não usar.
Comentário: Aquele que não usa o manto depois de uma derrota é um verdadeiro herege. É o cristão que não defenderia Jesus quando ele foi crucificado, o americanizado que seria anti-americano quando Bin Laden atacou as torres gêmeas...
3 – Lembra-se de uma escalação do século passado?
Primeira final que eu fui no estádio, Copa do Brasil de 1992: Fernandez, Célio Lino, Célio Silva, Pinga e Daniel; Ricardo, Élson e Marquinhos; Maurício, Gérson e Caíco.
Comentário: Ponto com louvor. Lembrar-se de uma escalação inglória significa gostar do time sempre, até quando não se tem motivos aparentes.
4 – Freqüenta o estádio?
Sempre.
Comentário: O verdadeiro futebol se vê no estádio.
5 – Quanto foi o último jogo do time?
Sport 1 x 2 Inter.
Comentário: O Inter havia conseguido a virada aos 37 minutos do segundo tempo com gol de falta de Andrezinho, o que lhe daria chances de título.
6 – Costuma dizer que é torcedor do time?
Ah, eu vivo mostrando por aí sim que sou colorado!
Comentário: Isto é verdade. Até eu, que não sou um conhecedor profundo de Fresno, já sabia que ele é colorado. Porém, em sua biografia no site oficial do Fresno, não há nada dizendo que Vavo seja colorado. Deixemos isto passar em branco. Ponto para ele.
7 – Torce para o time desde criança?
Poucos sabem disso, mas eu fui gremista até os 3 ou 4 anos porque minha família inteira era gremista. Não lembro dessa época, só por foto. Mas na Copa União de 1988 eu já torcia pro Inter. Ninguém na minha família sabe explicar porque eu "troquei" de time...
Comentário: O que pode parecer a um primeiro momento um golpe de sinceridade, conta contra Vavo. Tudo bem que ele não tinha consciência, aos 4 anos, do que significa para um colorado torcer para o Grêmio. Embora torcer desde os 5 anos para o time já seja uma grande coisa, Freud explica que há sementes plantada em nosso inconsciente desde nossa mais tenra infância. É por isso que Vavo perde meio ponto.
8 – Torce contra o rival?
Já fui mais secador, mas agora estou mais calmo. Ainda mais morando em São Paulo, onde não tem gremistas para me incomodar. Às vezes só fico sabendo o resultado do jogo do Grêmio no dia seguinte.
Comentário: Aqui ele perde meio ponto. A distância geográfica não pode ser desculpa para deixar de torcer contra o rival. Lembremos que torcer para um time significa torcer, automaticamente, contra o maior rival.
9 – Se tivesse que escolher namorar entre uma garota que torce para o seu time e outra que torce para qualquer outro, qual delas você escolheria?
Eu namoro uma corinthiana! Mas time não é problema pra mim, acho que não tem nenhuma relação.
Comentário: Ponto para ele. Colocar a situação clubística na escolha amorosa é uma grande bobagem. É preciso reconhecer que há grandes idiotas que torcem para nosso time, enquanto há gente grandiosa torcendo pelos rivais.
10 – Você assiste a todos os jogos? Chega a escutar no rádio quando o jogo não é transmitido pela TV?
Como muitas vezes estamos viajando com a banda, é comum eu assistir o jogo pela internet em sites de rádios de Porto Alegre.
Comentário: Grande Vavo! É muito fácil assistir a todos os jogos do time quando eles passam na TV aberta, de bandeja. Morando longe, ele cumpre bem a obrigação, apesar das grandes dificuldades. Mereceria ponto extra, mas o regulamento não prevê ponto extra para esta questão.
11- Se por um acaso a vitória do seu time favorecesse o rival, gostaria que os jogadores entregassem o jogo?
Não acho isso digno. Se eu fosse jogador, não conseguiria fazer isso.
Comentário: Dizem na TV que o torcedor pode querer o que for, que está sempre com a razão. Como se ele fosse o freguês de uma empresa. Muito pelo contrário. Se o time fosse uma empresa – e não é – o torcedor seria o sócio dela. Por isso, também o torcedor não pode querer que seu time faça aquilo que não seja íntegro.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
7 - Outra versão sobre o rádio de Garrincha na Europa
Ruy Castro escreveu uma apuradíssima biografia de nosso Mané Garrincha. Nela, ele desmente peremptoriamente essa história e conta outra, totalmente antagônica. Segundo Ruy, Garrincha jamais pensou que um rádio fabricado na Suécia só pegaria as rádios suecas. Tanto é, que chegou a comprar vários rádios para presentear seus amigos e familiares.
A história que deu origem ao boato é, na verdade, uma brincadeira que Garrincha fez com seu companheiro de Botafogo, Hélio. Conta, Ruy:
“Foi Hélio quem comprou o tal rádio numa loja em Copenhague e, ao ligá-lo no hotel, ouviu de Garrincha:
‘Mas sua família fala essa língua, Hélio?’
Hélio não entendeu a pergunta. Garrincha, sério, explicou:
‘Se você não trocar as válvulas quando chegar ao Brasil, ninguém vai entender o que o locutor está falando. E lá não tem pra vender dessas válvulas’
Hélio ficou desapontado e disse que ia à loja devolver o rádio. Não se sabe se efetivamente foi ou conseguiu devolvê-lo – mas Garrincha não o comprou, nem o vendeu, nem precisava disso.”
6 - Histórias de Garrincha
Pois eu estava olhando meu blog, e percebi uma coisa chata: Garrincha só está no nome.
Poxa vida. O homem ganha duas copas do mundo para meu país, empresta o nome para meu blog sem cobrar nada, e eu sequer falo dele aqui?! Agora será diferente.
Inaugurarei uma sessão em que falarei coisas da vida e do futebol de Garrincha. A fonte será, sempre, o livro Estrela Solitária – um brasileiro chamado Garrincha. Esta é a maior fonte confiável que temos daquele que foi um de nossos maiores jogadores.
O leitor que acompanhar este blog poderá, ao longo do tempo, conhecer algo a mais daquele homem que tinha a virtude mais rara de um jogador de futebol: além de ser eficiente, era também divertido. É um pecado esquecer Mané. Até porque a memória é a mãe de todos os neurônios, ora!
sábado, 19 de dezembro de 2009
5 - Pontos Corridos x Mata-mata – Candinho
O depoimento de Candinho em mp3Você deve conhecer o Candinho. Acho, até, que já torceu por ele. Em 1996, era Candinho o treinador que levou a Portuguesa ao vice-campeonato – perdeu no finalzinho para o Grêmio. Em 1997, treinou o Corinthians com uma missão tosca e ingrata: tirar a equipe da zona do rebaixamento a apenas três rodadas do final. Conseguiu. Depois foi auxiliar-técnico de Luxemburgo na seleção, e chegou até a treinar ele mesmo um jogo: Brasil 6 x 0 Venezuela.
Teremos a opinião de Candinho, e devemos observá-la com respeito. Uma das regras não ditas do futebol é a de que a opinião de uma pessoa mais velha vale mais, indiscutivelmente, do que a de uma mais nova. Porque futebol é, em sua essência, intuição e experiência. E isso Candinho tem em abundância. Vamos ao depoimento dele:
“Eu sou a favor do mata-mata. Porque chega no final do campeonato, em que os clubes que não têm mais interesse, e botam reservas, vão jogar em Campinas, como o Corinthians foi jogar com o Flamengo. E isso prejudica. No mata-mata não acontece essas coisas. Agora, a pessoa se desinteressa e prejudica terceiros. Se o Corinthians joga com o flamengo no Pacaembu, é uma pressão muito maior. Aí acabou prejudicando o inter, o São Paulo. Quer dizer, essas coisas mudam o que pode ser campeão. Então sou a favor do mata-mata porque no mata-mata não tem isso. Se você pegar os quatro clubes que chegaram, Palmeiras, Flamengo, São Paulo e inter, e fizesse um mata-mata entre os 4 agora, os outros clubes poderiam jogar e não interferiria. A pessoa vai dizer que no pontos corridos ganha o melhor porque teve mais regularidade. Mas quando chega no final não é mais regularidade. É beneficiado pelos outros que não têm mais interesse em ganhar. E a emoção do mata-mata é muito maior. Agora, eu sou a favor do mata-mata com quatro clubes. Antes era do primeiro ao oitavo. Aí o campeonato se arrastava demais, e todo mundo não se interessava muito, porque classificavam até 8, né? Os quatro primeiros é que iriam pro mata-mata, aí todo mundo ficava interessado, né? Aí ninguém ia entregar jogo para ninguém.”
Então Candinho é um mata-matense roxo! Seria porque quando sua Portuguesa chegou a vice do Brasileiro de 1996, a fórmula de disputa era a de mata-mata? Lembre-se. A Portuguesa conseguiu somente se classificar como oitava colocada na última rodada. Se fosse um campeonato de pontos corridos, aquele time teria passado em branco. E para o torcedor da Portuguesa, nomes como Rodrigo Fabri, Clêmer, Capitão, Alex Alves e o do próprio Candinho, seriam equivalentes aos de Johnson, Celsinho, Kléber e Gléguer. Seriam outros bons jogadores em um ótimo grupo com um bom técnico que, de novo, não conseguiriam nada. Mas só não foram campeões por um detalhe aos 36 do segundo tempo. Acontece. Ainda mais com a Portuguesa.
Fora isso, os argumentos de Candinho são respeitáveis e consistentes, a ponto de promover a virada do mata-mata! O primeiro gol sofrido pelos pontos-corridenses se dá quando Candinho diz que os times que não disputam mais nada no final do campeonato atrapalham aqueles que ainda têm aspirações.
O Campeonato de 2009 abriu esta ferida. Até a 35ª rodada, todos os times tiveram que enfrentar o Corinthians no Pacaembu. Lá, a torcida exerce uma grande pressão e, pombas, é a casa do Corinthians! Porém, ao enfrentar o Flamengo, o Corinthians passou o jogo para Campinas. Numa partida em que todos os outros adversários enfrentaram milhares de corintianos , num estádio em que os jogadores já estão acostumados, o Flamengo dividiu a torcida, num estádio estranho aos dois. E ainda há rumores de que, não bastasse isso tudo, o Corinthians facilitou deliberadamente para o Flamengo, a fim de prejudicar seus rivais – Palmeiras e São Paulo, que ainda disputavam o título. Aconteceu também com o Grêmio. Há quem diga que os gremistas jogaram com afinco e até tentaram ganhar. Mas eram os reservas.
Este é um duro golpe no sistema de campeonato que se julga o mais justo. Ele seria, se todos fossem leais até o último instante. 1 a 1.
Além disso, Candinho tocou em um ponto bastante discutível. Disse ele que no mata-mata há maior emoção. Não sei dizer se uma final é realmente mais emocionante do que uma rodada com quatro times disputando o título. Talvez pela atmosfera de uma final. Ou então pela certeza de que o campeão sairá daquele determinado estádio, após aquele juiz apitar o fim. Aí, sim.
Eis a virada. Pontos corridos 1 x 2 Mata-mata
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
4 - Pontos Corridos x Mata-mata – Freddy Rincón
O depoimento de Rincón em mp3Freddy Rincón já esteve em muitos lugares. Já esteve no Palestra Itália defendendo o Palmeiras, e no Pacaembu jogando pelo Corinthians. Pela seleção colombiana já conseguiu vencer a Argentina fora de casa por 5 a 0, mas fracassou quando jogou pelo Real Madri pelo racismo de seus próprios torcedores. Rincón já morou em casas luxuosas em São Paulo, mas já passou tempos na prisão.
Ele era um jogador raríssimo. Porque há uma lei física que um jogador dificilmente consegue superar: ou se é robusto e moroso, ou se é leve e fraco. Mas como um hipopótamo delicado, ou uma formiga forte, Rincón era fortíssimo e ágil. A habilidade dele se assemelhava à dos melhores atacantes, e a capacidade de marcação e noção de espaço dele era a de um digno volante. Então era muitíssimo capaz para defender, e atacava com qualidade ímpar.
Um homem com esta experiência deve ter uma boa opinião sobre a escolha entre pontos corridos ou mata-mata, não é? Também começamos com a visão de um estrangeiro que, mesmo depois de encerrar a carreira futebolística, vive no Brasil, para termos uma visão externa e, ao mesmo tempo, apaixonada sobre nosso tema.
“Olha, eu acho que o importante é criar a emoção do público. Eu acho que o pontos corridos está há dois ou três anos no campenato brasileiro e está se tornando cada vez mais importante. Na verdade, eu acho que é pelo público, mesmo. Que é por adaptação, que o público se adaptou ao pontos corridos. Acho que prefiro o pontos corridos. E é como se fala na gíria, né? Em time que está ganhando não se mexe.”
Então Rincón é um ponto-corridense. Há algumas pesquisas concordam com o argumento dele, e apontam que os brasileiros realmente preferem os pontos corridos. A TNS Sport Brasil, após ouvir 8018 pessoas por todo o país, apontou que 53,3% preferem os pontos corridos, 36% o mata-mata, e para 10,7%, a fórmula de disputa lhes é indiferente. Vi isso no blog do Juca Kfouri.
A manutenção de uma fórmula de disputa convincente e popular é muito importante para a legitimação de um torneio. Tanto que está previsto no Estatuto do Torcedor que um campeonato precisa, necessariamente, adotar a mesma fórmula por, no mínimo, dois anos consecutivos.
E assim, com gol de Freddy Rincón, os pontos corridos saem na frente nessa disputa. 1 a 0.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
3 - Torcer pelo Santos

Está decidido. Por sete votos a seis, se Peter Griffin tivesse nascido no Brasil, o time dele seria o Santos.
Como santista, é bom que Peter saiba que torcer pelo Santos é saber que alegria tem preço.
Quando Pelé chegou ao Santos em 1956, a cidade aliviou-se. Era a certeza de que aqueles anos de profunda inferioridade à capital estavam terminando. Para ver o campeão, os paulistas precisariam descer a serra. Para ver o rei, os cariocas teriam que cruzar a Rio-Santos – que nem existia à época.
Não houve quem não se encantasse com Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Aquele time, um escrete com pedigree, deu, em 1962 e em 1963, o título de melhor do mundo ao alvinegro praiano. Mas isto apenas confirmava o que já era de conhecimento universal. Aliás, quando aquele time não era campeão, tinha-se a certeza de que alguma injustiça se passara no meio do caminho. E hoje vemos alguns títulos ganhos por outrem com o mesmo espanto de um concurso literário dos anos 30 em que Fernando Pessoa participou e perdeu para um desconhecido.
Mas Pelé foi embora. E o time não ficou apenas sem seu principal jogador. Ele perdeu também todo aquele incremento que a presença de Pelé dava a seus companheiros. Não havia jogador inseguro ao lado de Pelé. A habilidade do rei era, desculpe, contagiante. Os jogadores de belíssimo passe começaram a errar irritantemente, os gols feitos já não eram tão feitos assim. Até o goleiro! Até ele começou a falhar em lances antes tão simples.
O Deus medo prevaleceu no coração do santista. E fez pagar em dobro toda a volúpia e todo o prazer. Os aproximadamente 15 anos com Pelé e títulos foram pagos com quase 30 sem os dois. A Vila Belmiro, antes palco de vitórias e júbilo santista, virou lugar de incertezas e saudade. É por isso que o torcedor santista virou, ora veja, viúva de Pelé.
Pelé tornou-se a defunta do coração preto e branco. E de tanto caçoarem da morta, surgiu, em 2002, seu verdadeiro filho – Robinho, trocado na maternidade com Edinho -, que prometia cumprir tudo à Sua semelhança. Os tempos são outros, e Robinho ficou por apenas três anos no Santos. E não jogou tão bem quanto Pelé. O santista, porém, sabe que isto é motivo de alegria e comemoração.
“Ainda bem que ele não foi tão bom quanto Pelé”, ouve-se na Vila Belmiro, “e aquele time não chegou a ser bi-campeão do mundo. Senão, teríamos a certeza de que seriam mais trinta anos, trinta!, de desespero e angústia”.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
2 - Pontos Corridos x Mata-mata

Desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado no sistema de pontos corridos, em 2003, há sempre a discussão sobre qual fórmula é a melhor: a atual ou a anterior? Inicialmente a conversa foi comedida, em que os pontos favoráveis a cada estilo eram dispostos racionalmente, mas aconteceu com esta discussão o que ocorre com todas as outras. Rapidamente, houve a divisão entre dois times – o dos ponto-corridenses e o dos mata-matenses.
Então onde se viam argumentos frios e calculistas, agora só há alegações peremptórias e intolerantes. Qual um corintiano que não consegue ver a beleza do verde, ou do palmeirense que não consegue ver o preto e branco sem sentir o corpo inteiro tremer, quem prefere os pontos corridos não admite mais nenhuma das qualidades do mata-mata, e quem prefere o mata-mata refuta, rapidamente, qualquer argumentação ponto-corridense, por mais pertinente que ela seja.
É bom que o leitor saiba que já fui partidário dos dois times. Assim que deixaram os pontos-corridos, fiquei horrorizado que nosso campeonato fosse privado de uma final. Depois, fui me acostumando, e passei a considerar a possibilidade de que a final poderia, sim, ser substituída por vinte jogos simultâneos aos domingos. Mas hoje, a saudade da final anda batendo forte, ao mesmo tempo em que me apeguei aos pontos corridos. Ou seja: se deixasse os pontos corridos, sentiria falta dele, mas continuando do jeito que está, fico com saudades do mata-mata.
O nosso jogo funcionará assim. Ouvirei vários depoimentos. Cada argumento favorável que nosso entrevistado oferecer contará como um gol para a equipe dele (Pontos corridos ou Mata-mata). Se ele apelar, estará jogando contra o próprio time, desconsiderando um argumento favorável anterior, então contará como um gol contra a favor do adversário.
No final, a equipe vencedora contará com mais um adepto: eu.
Estamos entendidos?
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
1 – Horóscopo dos futebolistas – Sagitarianos

Arrisco dizer que o signo de sagitário é um dos mais raros no meio futebolístico. Estive pesquisando para iniciar este post, e dos 388 jogadores e técnicos consultados, apenas dezenove (4%) são sagitarianos. Também pudera: sagitarianos em excesso podem estragar um time.
Tratando o time como um prato de comida, e o sagitariano como o sal, podemos dizer que cada sagitariano é uma pitada de sal. Então, ao preparar uma equipe, costuma-se preferir por errar pela falta a correr o risco do erro pelo excesso. Ora, assim pensam nossos dirigentes: é possível engolir uma comida sem sal, mas comê-la muito salgada é praticamente impossível. Porém, não nos esqueçamos: o sal que pode estragar uma refeição é, ao mesmo tempo, essencial para que ela seja deliciosa.
O boleiro sagitariano é aquele que faz o que for necessário para realizar seus objetivos. Treina a mais do que o comum para ajustar um detalhe que talvez nem faça falta, como Muricy. Inventa um treinamento novo, como Valdir Joaquim de Moraes. Ou então, traça metas e as cumpre com afinco, como Keirrison, que sempre teve uma meta clara: vestir a camisa do Barcelona.
Eles costumam cativar pela sinceridade, mas é a sinceridade também que os repele. Lembra do Djalminha? Ele tem a sinceridade como a maior qualidade e o maior defeito. Os palmeirenses se encantaram com ele em 1996, quando não tinha pudores em menosprezar, sinceramente, os adversários. E em 2005, os mesmos palmeirenses sentiram muita raiva de Djalminha, quando ele disse que não jogaria naquele time repleto de pernas de pau.
Vamos ao time dos sagitarianos, que, apesar de conter talentos irrefutáveis, falharia indubitavelmente. Seria o time mais salgado já visto.
Para treinador, teríamos quatro opções. Rubens Minelli, Muricy Ramalho, Ricardo Gomes e Oswaldo de Oliveira. Ricardo é ainda inexperiente, então seria auxiliar do auxiliar. A dúvida ficaria entre Muricy, Oswaldo de Oliveira e Minelli. E é uma dúvida dificílima de se desfazer. Se Muricy conquistou os últimos três campeonatos brasileiros pelo São Paulo, Rubens também foi tri-campeão brasileiro (em 76 e 77 pelo Inter, e em 78 pelo São Paulo) e Oswaldo foi campeão Brasileiro e Mundial pelo Corinthians. Mas é antes dos anos 70 que encontramos o trunfo de Minelli: ele ganhou um Robertão pelo Palmeiras. Aí ele passa Muricy. É o tetra ganhando do tri. Então sobraria Minelli e Oswaldo.
Aqui, temos que analisar a relevância de cada técnico em cada título conquistado. Oswaldo, em 99, possuía um time com mais estrelas do que um céu. E os adversários eram fracos. No ano 2000, foi campeão mundial pelo Corinthians em cima do Vasco que possuía Edmundo, o que é um grande feito. Mas Minelli merece a vaga porque ele foi um dos únicos capazes a realizar a grande proeza, em 1968: derrubou o time de Pelé.
Minelli de técnico, Muricy de auxiliar, Ricardo Gomes de auxiliar do auxiliar e Oswaldo de Oliveira como auxiliar do auxiliar do auxiliar. Oswaldo seria o primeiro auxiliar, mas ele foi sendo rebaixado nas funções e não demonstrou o menor sentimento.
Para o gol, temos cinco goleiros. Dois de nível excepcional, e outros três de alto nível, mas que, pena!, não chegaram a ser craques. Estes são Francesco Toldo, Fernando Henrique e Fábio Costa. Somente um deles poderá ir para o banco de reservas como segundo goleiro. Escolheremos Toldo, que já está acostumado com a reserva, e também por não correr riscos de ser expulso. Fernando Henrique seria melhor que ele, porém não poderemos dar a vaga a alguém que comemora defesas – então ele não será sequer relacionado.
A disputa pela titularidade será acirrada. Valdir Joaquim de Moraes contra Castilho. Bem, se Valdir Joaquim de Moraes compensou a baixa estatura com o melhor posicionamento de goleiro que já se viu em nossas terras, Castilho fazia milagres. Se Moraes foi imortalizado com todo o time da primeira academia com seu reflexo ágil e impulsão fenomenal, Castilho tinha, além disso tudo, sorte – seu apelido era Leiteria. Mas isto não bastaria para tirar a posição de alguém como Valdir. Teremos que decidir por um critério injusto, já que fazer justiça aqui seria dar a 12 a quem só merece e conhece a 1.
Castilho ganha de Joaquim pela idade. Nasceu quatro anos antes. E Valdir, para não ficar no banco angustiado pela chance de jogar, será o preparador de goleiros, posição que ele mesmo inventou.
Depois disso, o time segue sem muitos mistérios. Fábio Rochemback assume a lateral direita. Ele não gostou da improvisação, mas desfez o beicinho quando logo no primeiro treinamento percebeu que jamais poderia sonhar em disputar posição com o meio campo de Heitor, Rubens, Pedro Rocha e Djalminha.
A zaga se completa com Mauro Galvão e seu cabelo capacete e Ronaldo Angelim, o único pereba do time. A lateral esquerda é de Xabi Alonso, já que também não temos sagitariano específico da posição.
Como já disse, o meio campo é fenomenal. Heitor e Rubens cadenciam o jogo, mas não defendem. Pedro Rocha e Djalminha atacam, mas não marcam. Você começa a perceber que não é somente pelo signo que este time não dará certo. Custou muito para convencer Djalminha que a 10 era de Pedro Rocha. Djalminha argumentou que jamais jogou com um número inferior ou superior a 10.
- Mas Djalminha... O Pedro é mais velho.
Novamente, a idade foi decisiva.
No ataque, Tesourinha e Michael Owen. A nove é de Tesourinha. Owen está tão deslumbrado com o contrato com o Manchester, que não se importa mais com esse tipo de coisa.
Keirrison não está relacionado por alegar uma contusão no dedinho do pé esquerdo. Giggs também está fora para não ultrapassarmos o limite permitido de estrangeiros na equipe.
Eis nossa escalação:
1 - Castilho 27/11/1927 (Fluminense)
2 - Fábio Rochemback 10/12/81 (Inter, Barcelona e Grêmio)
3 - Mauro Galvão 19/12/1961 (Vasco e Grêmio)
4 - Ronaldo Angelim 26/11/1975 (Flamengo)
6 - Xabi Alonso 25/11/1981 (Barcelona)
5 - Rubens 24/11/1928 – (Flamengo e Vasco)
8 - Heitor 20/12/1898 (Palmeiras)
7 - Djalminha 9/12/1970 (Palmeiras, Guarani, Flamengo e La Coruña)
10 - Pedro Rocha 3/12/1942 (São Paulo)
9 - Tesourinha 3/12/1921 (Internacional)
11 - Michael Owen 14/12/1979 (Liverpool, Real Madri, Newcastle e Manchester United)
Técnico: Rubens Minelli
Auxiliar técnico: Muricy Ramalho
Auxiliar do auxiliar Técnico: Ricardo Gomes
Auxiliar do auxiliar do auxiliar técnico: Oswaldo de Oliveira
Preparador de goleiros: Valdir Joaquim de Moraes
Banco de reservas
12 - Francesco Toldo 2/12/1971 (Inter de Milão)
21- Fábio Costa 27/11/1977 (Vitória, Santos e Corinthians)
17 - Palhinha 14/12/1967 (São Paulo, Cruzeiro)
16 - Liédson 17/12/1977 (Corinthians, Flamengo, Sporting)
15 - Aristizábal 9/12/1971 (São Paulo, Cruzeiro, Coritiba)
77 - Carlos Alberto 11/12/1984 (Fluminense, Botafogo e Vasco)
Não relacionados
Fernando Henrique 25/11/1983 (Fluminense)
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
11 - Horóscopo dos futebolistas
Creio que enfrentaremos forte rejeição no início, já que este, reconheçamos, é um ambiente predominantemente feminino. Mas assim como o sagitariano Valdir Joaquim de Moraes enfrentou reações exaltadas quando começou a treinar goleiros especificamente, mas isso anos depois esta tornou-se uma prática comum, assim como o aquariano Rinus Michels sofreu muito mal olhado quando inventou a linha de impedimento, mas hoje é difícil ver uma equipe que não a utilizei, dessa forma o horóscopo futebolístico enfrentará grande rejeição no início, mas tenho a certeza de que os mesmos que o rejeitarão agora, utilizar-se-ão dele no futuro com argumentos irrefutáveis.
Você deve saber que há doze signos divididos pelo horóscopo. Toda vez que o calendário mudar de um signo para outro, teremos um post sobre o novo signo, com explicações dos comportamentos dos jogadores e técnicos e, por que não?, com previsões sobre o mês que terão pela frente.
O principal, porém, será a eleição do time de cada signo, com técnico e jogador certo para cada posição!
Também poderão surgir posts esparsos durante os meses, mas não esperem por eles.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
10 – Qual seria o time do Peter Griffin?
Aliás, é sorte que ele é desenho – faz parte do elenco de Uma Família da Pesada. Senão eu não poderia começar este texto sem dizer um palavrão. E mesmo sendo um desenho animado que me faz rir, não consigo: tenho que chamá-lo de filho da puta.
Ele não tem uma idade definida, mas dizem pela internet que tem 42 anos. Não é difícil vê-lo se embebedando por aí com os amigos, mesmo que seja em um momento completamente inapropriado, como no nascimento de um filho, ou durante o dia de aniversário de casamento. Aliás, está aí um jeito fácil de defini-lo: Peter tem a malícia de uma criança misturada com a ingenuidade de um adulto... e álcool.
Agora, cabe a nós decidir para qual time ele torceria se tivesse nascido no Brasil. São quatro opções - Santos, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Flamengo -, e o leitor pode votar na enquete ao lado. O resultado virá dia oito. Para qual time você acha que ele torceria?
Para o Santos?

Há um fator muito a favor e outro bastante contra para que Peter escolha o Santos. Conta a favor que Santos é o time de Pelé, jogador que teve uma relação muito forte com os Estados Unidos na infância de Peter – época em que se escolhe um time. Contra, é que é raro encontrar santistas que não morem em Santos.
Para o Atlético Mineiro?

O Atlético não conquista um título importante há muitos anos. Não que isto influencie na grandeza de um time, mas Peter não tem o perfil de quem se apaixona por alguma coisa sem ganhar nada em troca. Muito pelo contrário. Ele tem o jeito de quem torce para um time somente para tirar vantagem das conquistas dele. Porém, o Atlético não é, claro, de se jogar fora. Algo me diz que Peter se encantaria por Dadá Maravilha, e tentaria, até, parar no ar que nem ele.
Para o Cruzeiro?

Se o Atlético não ganha títulos importantes há bastante tempo, o Cruzeiro ganhou a Libertadores pela segunda vez na história em 1997 – a primeira foi em 1976. E Peter adoraria contar vantagem sobre isso. Porém, por ser um time fora do eixo Rio - São Paulo, o Cruzeiro não tem uma das maiores torcidas do Brasil, e isto poderia envergonhá-lo.
Para o Flamengo?

Não é difícil de imaginar o Peter com a camisa do Flamengo. Ele ornaria bem até com as cores! Porém, do mesmo modo com que se sentiria ridículo por torcer por um time de torcida relativamente pequena, ele teria vergonha por saber que o time dele é o mesmo de 32 milhões de pessoas.
Mas eu não sei. É você que sabe! Vote na enquete, que daqui a uma semana teremos o resultado. Meu palpite? Não sei.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
9 - Qual seria o time dele?
A idéia nova da semana envolve a participação do público.
O leitor já deve ter notado que há neste blog uma imensa curiosidade em se descobrir os times daqueles que não vestem a camisa todos os dias. Para essas pessoas costuma ser fácil descobrir. Basta perguntar. Mas agora quero ir além. Quero descobrir o time daqueles que não podem jamais são perguntados por três motivos:
1 – São personagens fictícios.
2 – Já morreram.
3 – São americanos.
Qual seria o time daquele personagem de quem tanto gostamos ou odiamos? Para que time torceria aqueleque teve o desprazer de morrer antes de o futebol ser inventado? E que time escolheria torcer a personalidade americana?
Aqui cabe um parêntese. É claro que seria possível descobrir o time de um americano. Bastaria perguntar – em inglês. Porém, aqui inauguro também uma campanha neste blog: só falaremos palavras em inglês a partir do momento em que os americanos adotarem football para o que esta palavra realmente quer dizer, futebol. Enquanto o futebol de lá for chamado de soccer (soccer será a única exceção, a palavra em inglês que falaremos neste espaço), não poderemos falar na língua deles, portanto não poderemos perguntar aos americanos para que time eles torcem.
A escolha do time será por enquetes. O time que tiver mais votos, ganha. Por enquanto, por termos poucos leitores, a eleição se dará em turno único. Daqui a alguns dias, quando os interessados por este blog passarem dos milhões, teremos dois turnos.
Peço encarecidamente para que votemos no time que mais se enquadre na personalidade da personagem em questão, não no time que seja o escolhido de nosso coração. Também ressalto que não é necessário conhecer a figura para escolher o time. Eu explicarei sempre um pouco de nosso personagem, e os leitores terão uma base minimamente confiável para eleger o time mais adequado.
8 - Para usar a camisa do time do coração

Na última semana, li duas notícias que se entrelaçaram. Uma diz que o Flamengo quer alcançar a meta de um milhão de camisas vendidas neste ano. A outra, dando conta de que o chefe da polícia carioca, o rubro-negro Alan Turnowski, proibiu a apresentação de criminosos com o manto do Flamengo. Ora, isto nos mostra que sabemos, sim, como comprar uma camisa da equipe do nosso coração; mas estamos longe de saber como usá-la.
Quando se usa a camisa do time do coração, é preciso agir como se estivesse sempre ao lado da mulher amada. Por isso, é proibido falar palavrão. Assim como a mulher se ruborizaria ao ouvir a palavra feia da boca do amado, o time escolhido se envergonharia de um torcedor que diz obscenidades enquanto o representa.
Também não é permitido ocupar o lugar dos velhinhos nos ônibus e metrôs, quando se está com a camisa do time amado. O velhinho irá dizer: - “Olha lá, o flamenguista! Que safado!”. E irá ele, pessoalmente, rogar pragas que somente elas explicarão por que aquela bola aos 47 minutos não entrou após resvalar no zagueiro e bater nas duas traves.
Quando se está com a camisa do time amado, é lícito olhar as mulheres somente da cintura para cima, pulando os peitos - mas dê um jeito de não parecer afeminado. As mulheres que têm o seu corpo desrespeitado irão achar que sua paixão futebolística existe só porque é um mal amado. E o desdenhará propositalmente, caso torça pelo time rival. E se torcer por seu time, pior ainda, pois você terá desejado alguém que com você se une por um laço fraternal.
Também não se pode comer macarrão à bolonhesa com a camisa do time amado – a não ser que seja colorado. Imagine o gremista com a marca do molho na camisa? É pior do que marca de sangue na roupa do bandido, ou marca de batom alheio na camisa do namorado. Só são toleradas as comidas limpas e balanceadas, enquanto se enverga o manto. Até porque, não é permitido arrotar e soltar pum, mesmo que torça pelo Palmeiras. Imaginem dizendo: - “É um porco, mesmo!”?
O ladrão que sair para roubar, deve usar qualquer camiseta, menos a do time do coração. E mesmo se surgir a ocasião, e ele esteja desprevenido, vestindo num dia qualquer o manto sagrado, o roubo deve ser abortado, mesmo que por isso se perca um grande numerário.
Quando se veste com a camisa do time amado, o sujeito não representa só a si. E por qualquer delito que cometa, não responderá por Pedro, José, Roberto, Fernando. Será o flamenguista, o palmeirense, o cruz-maltino, o colorado.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
7 - Times dos famosos - Leão Lobo
O teste em mp3Leão Lobo é a primeira celebridade a se submeter a este teste, que mede a assiduidade dos famosos em relação do time. Ele se saiu bem, e é, até agora, o primeiro colocado!
1 – Tem camisa do time?
Resposta: Tenho todas!
Comentário: Leão foi efusivo e taxativo. Como se não bastasse possuir um manto para se usar de vez em quando, ele afirmou que tem vários, ou melhor – todos! Isto demonstra não somente um gosto pela camisa do time, como também um fetiche consumista insaciável. Um ponto com louvor.
2 – Usa o manto no dia seguinte a uma derrota?
Eu usaria.
Comentário: A princípio, parece ser esta a resposta correta. Leão diz que usaria, ok, mas o tempo verbal no futuro do pretérito demonstra que ele nunca usou. Ele usaria se surgisse uma oportunidade – que ainda não veio. Meio ponto para Leão.
3 – Lembra-se de uma escalação do século passado?
Não! Eu nunca me preocupei com essas coisas.
Comentário: Leão não demonstra nenhum constrangimento ao admitir que não se preocupa com coisas desse tipo. É por isso que ele jamais será um xiita.
4 – Freqüenta o estádio?
Ah, sempre que posso!
Comentário: Claro que é importante ir ao estádio sempre que pode. Mas o fundamental é criar as oportunidade para ver o time ao vivo. “Sempre que posso” demonstra que pode haver muitas outras coisas na frente do time do coração. Meio ponto.
5 – Quanto foi o último jogo do time?
Quanto foi? 2 a 2. Hehehehe
Comentário: Correto. O Palmeiras havia empatado com o Sport em 2 a 2 na noite anterior.
6 – Costuma dizer que é torcedor do time?
Ah, sim. Aliás sou muito elogiado na TV por assumir. Eu assumo tudo, meu partido político, minhas posturas políticas, assumo meu time, minha sexualidade. Não assumir uma coisa na vida, é uma grande bobagem. Mesmo se eu fosse um comentarista esportivo, eu diria: olha, sou palmeirense. Mesmo assim, eu adoro o Neto. Eu adoro. Nunca foi do Palmeiras, nada disso.
Ele já foi. Ficou pouquíssimo tempo.
É verdade. Começou no palmeiras. Ele é do Corinthians, né? Adoro, adoro ele pela postura dele. Acho divertido. Adoro gente que tem humor. Acho que não tem essa problema não.
Comentário: Leão vinha muitíssimo bem, demonstrando uma personalidade incisiva e segura sobre todos os aspectos da vida, quando esbarrou numa falta de conhecimento enciclopédico. O Neto foi, sim, jogador do Palmeiras. Ele chegou ao clube no final dos anos 80, e em 89 foi trocado com o Corinthians. O Palmeiras cedeu Neto e Denys, e o Corinthians, em troca, ofereceu Ribamar. Pelo erro, Leão perde meio ponto.
7 – Torce para o time desde criança?
Desde que me entendo por gente.
Comentário: Leão jamais hesitou na escolha clubística. Sua paixão pelo Palmeiras tem laços familiares profundos. Porém, sua resposta dá margem a interpretação dúbia. Uma pessoa costuma a se entender por gente aos seis, sete anos. Antes disso, ele era o quê? Perde meio ponto por isso.
8 – Torce contra o rival?
É. Dependendo, se for favorecer o palmeiras, eu torço contra aquele que tem que perder para favorecer meu time, claro. Mas vou te dizer uma coisa. Tenho muita simpatia pela torcida do Corinthians, por essa energia que eles têm. Por essa garra. Coisa que não se vê pela torcida do santos, pela portuguesa. Eu acho um absurdo. Somos todos descendentes de portugueses e temos essa vergonha de torcer pela portuguesa, né. Eu sou vascaíno no rio.
Comentário: Aparentemente Leão mereceria perder meio ponto, por ter elogiado a torcida corintiana. Porém, isto demonstra segurança clubística. Ele consegue elogiar os rivais sem perder o estilo. Mas é ao dizer que tem um clube no Rio de Janeiro que ele perde meio ponto. Quando se escolhe um time, se faz um laço tão profundo quanto o laço matrimonial. É na saúde, na tristeza, na alegria, na bonança, em São Paulo e no Rio de Janeiro!
9 – Se o time perde, fica mal humorado?
Perco, perco. No primeiro momento, eu fico bem chateado. Por quanto tempo? As vezes 1hora, 2 horas. Eu fico racionalizando. Tudo bem, faz parte, o futebol é isso, né. Por isso que eu entendo até que exista violência no campo. Existe, se a pessoa não for muito esclarecida, é muito complicado.
Comentário: Leão, além de responder corretamente, descreveu com perfeição os sentimentos de um torcedor apaixonado após um revés. Ponto com louvor.
10 – Qual é o nome do presidente do palmeiras?
É o Belluzzo! Luiz Gonzaga Belluzzo, né?
Comentário: Questão muito simples. Palmeirense que não sabe quem é Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo deve ser corintiano. Ponto.
11- Suposição. Se tivesse uma pessoa doente no hospital e na mesma hora um jogo do palmeiras. Você iria ao estádio?
Não, aí acho que não. É uma questão de bom senso, né. Mas se pudesse ver um jogo no hospital!...
Comentário: Resposta perfeita de Leão Lobo. Esta é uma pegadinha para o famoso que quer impressionar e responde que vai ao jogo a qualquer custo. Um clube de respeito não desejará jamais que um torcedor seu abandone um ente querido em um momento importante. Isto, até, desonraria, no caso, o Palmeiras. Pontíssimo para Leão.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
6 - Sete quilômetros e meio com Leão Lobo
A entrevista em mp3
Muita gente pensa que, por este ser um blog sobre futebol, só os boleiros podem ler. Esta nova série, de entrevistas com famosos aleatórios, mostrará que, assim como não é preciso conhecer futebol para falar dele, não é preciso entender de futebol para ler sobre ele. O Leão Lobo é uma prova disso.
Quando disse para ele o assunto desta entrevista, ele se empolgou a ponto de exibir aquela risadinha exclusiva para os melhores boatos – “Boatos, não. Histórias, mesmo!” Mas ele me alertou. Disse que não entende nada sobre o assunto. “Mas Leão, é por isso mesmo que quero entrevistá-lo!”.
Cheguei na Record no horário combinado. 11 horas da manhã. Mas era dia de gravação, e ele só pôde me atender 20 minutos depois. O atraso não me atrapalharia, mas havia outros dois jornalistas que teriam que dividir a entrevista comigo. Se já é complicado realizar uma boa entrevista com um leigo, eu estaria lascado se tivesse que dividi-lo. Leão avisou que teríamos que entrevistá-lo no carro, pois teria que seguir a uma produtora. Melhor para mim: os outros dois jornalistas estavam de carro, e não poderiam apanhar a carona.
Saindo da Record, Leão tomava a iniciativa de cumprimentar a todos que encontrava – fosse gente conhecida ou não. Isto não servia somente para aqueles que percebiam a presença de Leão e tinham vergonha ou receio de cumprimentá-lo. Servia principalmente para Leão não passar despercebido por aqueles que, por qualquer problema na visão, não o tivessem notado.
Entramos no carro preto, espaçoso, confortável e luxuoso que o estava esperando, e foi Leão quem abriu a porta para mim. O ar-condicionado convinha, pois fazia mais de 30 graus. E assim que me sentei no banco de trás e Leão no passageiro da frente, fui apresentado a Márcio, o motorista. Ele fez o favor de baixar o rádio, sintonizado em alguma dessas rádios chiques. E começou a entrevista que durou sete quilômetros e meio: da Record, na Barra Funda, até a Alameda Santos, na altura do Itaú Cultural, na Vila Mariana.
Leão mostrou uma surpreendente desenvoltura para falar sobre futebol. Ele revelou alguns conhecimentos pouco óbvios, como saber que Zetti já foi jogador do Palmeiras, e assumiu publicamente que detesta o Kaká. Isso, porém, não é tão surpreendente assim para quem já assumiu que é gay. Mas tudo, tudo o que Leão diz resvala sempre em algum famoso, alguma celebridade. A sensação é a de que, para ele, qualquer história, por mais banal que seja, ganha um brilho inesperado quando toca, mesmo que minimamente, alguma celebridade.
Vamos à entrevista.
Eu não sou Mané, Garrincha!: Como começou a torcer pelo Palmeiras?
Leão Lobo: Eu torço para o Palmeiras porque meu avô é italiano. Ele era da Calábria, aí ele era palestrino. Então influenciou muito a minha irmã, que era apaixonada pelo meu avô. Aí ela virou palestrina, também. E eu, apaixonado pela minha irmã, também. Quer dizer, era o time da minha irmã, então devia ser bom. Aí me apaixonei, comecei a acompanhar as histórias. Tinha aquele pintadinho, o Ademir da guia. Tive uma boa época de Palmeiras!
Mané: Hoje em dia você ainda se importa?
Leão: Ah, me importo. Acho que mais hoje do que naquela época. Talvez até porque o futebol tenha ficado cada vez mais importante na vida das pessoas. Torço muito e tal. Participo. Às vezes eu tenho uma sensação de que é tudo armado. Como escrevo sobre artistas, celebridades. Às vezes eu vejo que tudo é armado. De repente o cara deixa fotografar a festa do filho, e depois reclama que tinha alguém que invadiu a sua festa. Na verdade você vê que a foto que foi feita não era uma foto amadora, foi uma foto produzida. Então era mentira que invadiram e publicaram sem autorização. É tudo armado e tal. Aí você começa a desconfiar se os jogos não são armados. E você começa a ouvir essa história de mala, que deram mala pro jogador para vencer tal jogo contra outro time... Acho que isso tira completamente a graça. Se for armado, não tem por que a gente torcer. A vida perde o sentido com a mentira!
Mané: Já foi ao Palestra?
Leão: Já. Eu gosto muito. Já fui até sócio. Agora não sou sócio, mas já fui sócio do palmeiras.
Mané: Então você é gay e torce pelo Palmeiras. Como é essa história de que só são-paulino que é gay?
Leão: É histórico que os são-paulinos passavam pós de arroz no rosto, como os tricolores do rio. Por um acaso, é uma coincidência. Porque tinha jogadores negros e não podiam ter jogadores negros. Era um preconceito que gerou outro preconceito. Eles passavam pó no rosto para entrar, né? Por isso eles passavam pó de arroz. Isso é uma grande bobagem, também. Não é por aí, né?
Mané: Há algum tempo, um dirigente do Palmeiras insinuou a homossexualidade de Richarlyson, e sofreu uma queixa-crime. O que você pensa disso?
Leão: Não estou falando do Richarlyson. Mas eu acho que as pessoas têm todo o direito de ficar no armário. Agora, eu acho um desserviço para alguém que for homossexual e que não assume por causa do futebol, por causa do dirigente, por causa do time. Assim como artistas, galãs de novela, apresentadores, não assumem. Eu acho que é igualmente ruim pra eles. A pessoa só está fazendo mal para si mesma. Está deixando de viver por causa da profissão. Deixando de viver. Deixando de ser um pouco mais feliz do que poderia ser se fosse mais livre. Por causa dos outros. Eu já fui até acusado de ficar querendo que todo mundo seja gay. Não. Eu quero que as pessoas sejam felizes. Eu fico triste quando descubro que alguém vai fazer uma novela e a emissora não deixa ele assumir, porque está num estágio da carreira que não pode. Que o patrão fez um acordo com ele, para ele nunca revelar que é gay. Então o cara casa, tem filhos, ele se faz infeliz, faz outras pessoas infelizes. Eu acho uma grande bobagem, um grande desserviço. Estamos no século 21 e não temos mais tempo para brincar disso. É uma coisa imbecil.
Mané: Se você fosse jogador, assumiria que é gay?
Leão: Eu falaria, porque eu falei num campo que é difícil, que é a TV. Acho que eu sou o único que assumiu. Nem o Clodovil assumiu publicamente. Ele fazia aquela mise em scène toda, mas não assumia. Mas não precisava, né? Assim como eu talvez nem precisasse, mas eu assumi numa boa. Fui o primeiro no Brasil e acho que continuaria assumindo. Enfim, acho uma grande bobagem.
Mané: Há outros jogadores que você saiba que são gays?
Leão: Muitos, muitos. Técnicos também, né? Inclusive técnicos pedófilos. Agora, não estou aqui para ficar entregando ninguém. É da consciência e responsabilidade de cada um, né? Eu já tive contato com jogador por causa do programa de TV. Eles são celebridades. Eles fazem parte da minha preocupação, também. Eu não estou preocupado. Para mim interessa o que ele joga em campo. Que ele seja feliz! Acho que o cara joga melhor quando é mais livre, mais feliz.
Mané: O que você acha do outro Leão – o técnico?
Leão: Arrogante.
Mané: E do Dunga?
Leão: O dunga é um batalhador. Eu acho que é um cara que é estrategista. Só de ele ser uma pessoa que segue o Felipe Scolari, que eu amo, já acho que ele é legal.
Mané: Você gosta do Felipão porque ele era do Palmeiras?
Leão: Porque era do Palmeiras, e porque já o conheci pessoalmente. Acho um caráter maravilhoso. Como eu achava aquele professor que morreu. Que eu não vou me lembrar o nome. Se você falar, até me lembro.
Mané: O Telê?
Leão: Telê Santana, né. Que eu achava uma pessoa seriíssima, e tive muito respeito por ele. Embora ele nunca tenha sido do palmeiras, não me lembro.
Mané: O Telê já foi. Umas duas vezes, eu acho. (Telê treinou o Palmeiras em 1979, com muito sucesso, embora sem título algum. Depois, em 1996, chegou a assinar contrato com o Palmeiras, mas problemas de saúde o impediram de assumir.)
Leão: Chegou a ser, né? Eu gostava dele, achava ele bacana e tal.
Mané: E do Muricy?
Leão: Eu gosto do Muricy. Acho que ele pressiona muito os jogadores, às vezes. Isso eu via no São Paulo e vejo agora no palmeiras. Como ele pressiona demais, acho que às vezes o rendimento cai de medo. Porque ninguém funciona na base do medo. A impressão que me dá é que é desconfortável, que ele exige demais. Com algumas pessoas pode até funcionar isso, com outras acho que não.
Mané: Com você funcionaria?
Leão: Não, porque eu já me cobro demais. Então alguém que me cobre demais assim, não funciona. De jeito nenhum. Isso falo no meu trabalho, mas imagino que se estenderia para o futebol também.
Mané: Luxemburgo?
Leão: Eu acho ele muito exibido. Lembra um pouco o Leão, mas menos arrogante. Um pouco menos arrogante. Mas tão exibido quanto. Acho que ele quer aparecer mais que os jogadores. Claro que o treinador é importantíssimo, mas a estrela mesmo em campo é o jogador. Tem que ser o jogador.
Mané: E o Ronaldo no Corinthians?
Leão: Antes de qualquer coisa, o Ronaldo é uma estrela. Eu nem sei dizer se ele joga bem. Porque ele vai lá e faz. Ele tem uma estrela mesmo, né? Às vezes ele nem está jogando bem, e chuta certo. É um fenômeno mesmo, né? Geniozinho, assim.
Mané: Se estivesse passando uma partida de futebol ao mesmo tempo que uma novela. Qual você assistiria?
Leão: Eu fico entre os dois. Eu amo novela. Não é que eu ficaria. Eu fico.
Mané: Você conhece muitos boatos sobre jogadores de futebol?
Leão: Muitos. Boatos, não. Histórias, mesmo. E às vezes também alguns boatos. Eu tenho que selecionar. Conheço jogador que teve caso com ator. Jogadores que saíram com atrizes. Já teve uma história muito engraçada, que disseram que um jogador que ia casar com uma moça dessas ... De ocasião, né? Nem conto, que hoje ela tá casada com um cantor. Ela ligou para tirar satisfação, que eu tinha falado alguma coisa. Ele estava enrolando, porque ele ia embora do Brasil. Ela falou: “Fala aqui com ele”. Eu falei: “Pô! Você para de enrolar a moça, que você não vai casar!”. Tinha alguns dias pra terminar o contrato e ele ir embora do Brasil. E ele: “Pô, cara, não estraga a minha!”. Aí o telefone voltou para ela, e ela falou: ”A gente vai casar, sim!” É, realmente. Passou uma semana e ele foi embora do Brasil. Foi para a Espanha.
Mané: O que você acha de mulheres jogando futebol?
Leão: Acho interessante. Tem vários talentos, sim. Às vezes elas são melhores que os homens, inclusive. Às vezes acho o futebol feminino mais organizado. Sabe o que eu acho legal? A sensação que me dá é que elas trocam mais entre elas. É mais um time! Essa noção de time. Elas realmente têm essa coisa de “vamos prestar atenção na outra, vamos passar a bola uma para a outra”. Às vezes as jogadoras até não brilham tanto individualmente porque elas têm mais essa noção de equipe.
Mané: Que celebridades gostam muito de futebol?
Leão: Adriane Galisteu, minha amiga que sei que é palmeirense. O Chico Anysio eu sei que gosta muito. O Henri Castelli, que é apaixonado pelo futebol e pelo São Paulo. O Dan Stulbach, que até escreve de futebol.
Márcio, o motorista: O Lula!
Leão: Ah, o Lula! O presidente, claro. Que é corintiano e gosta de falar dessas coisas. Tudo ele compara com futebol. Aliás, acho acertadamente, porque é uma linguagem que é próxima do povo. Então acho bem legal.
Mané: De que jogadores você mais gosta?
Leão: Tem um jogador preferido pelo caráter, dignidade pelo que ensina em campo para as pessoas. É o Marcos. Eu tenho antipatia, não porque não é do meu time, que é pelo Rogério Ceni. Que é arrogante, tolo. Quer ensinar, mas não se ensina com arrogância. Acho que o Marcos ensina com humildade. Acho essa a grande diferença. Acho um grande goleiro. Pode ter problemas, mas é um grande profissional. Ele é muito fantástico. Outra pessoa - sem nenhum tipo de afetação nem nada, né? - era o Zetti, que era goleiro do Palmeiras, mas era uma pessoa incrível. Gosto do Denílson, com toda a malandragem, toda a safadeza dele. Acho incrível, porque acho divertido, alegre. Ele tem uma coisa assim, como figura mesmo, né? Ele é agradável e tal. Uma outra pessoa que eu gosto, que acho que ensinou muito o Brasil com toda a malandragem dele, é o Romário. Como grande jogador. (Outro que) adoro até pela alegria, teve uma fase ruim, mas está voltando aos bons tempos, é o Ronaldinho Gaúcho. DETESTO o Kaká. Acho um falso. Falso, mentiroso. Nada a ver com a religião dele. É que é tudo tão artificial em torno dele, que eu não acredito.
Então Márcio estaciona na Alameda Santos, o destino de Leão. Eu digo o endereço do blog, ele não entende direito e pede para mandar por e-mail. Despedimos-nos.







